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O que é esse sentimento a que chamamos vida? Nós o controlamos? Ou somos controlados por ele? Como acontece na vida de qualquer ser humano, eu senti fome, diria até que estava faminto. Então, fiz o que era conveniente: dirigi meu carro, meu meio artificial de transporte, até um restaurante de comida indiana. Chamei a atendente e disse:
– Saí de casa com um desejo, uma ânsia, por comer Tali. Porém, parece que meu estômago mudou de idéia. Não é disso que se trata o caminho da vida? Não saímos ao mundo para obter o que desejamos, para adquirir o produto de nossos anseios? E, quando os satisfazemos, não sentimos a falta de alguma outra coisa? A humanidade sempre busca algo mais. Mais terras, mais comida, mais riquezas. Até mais tempo de vida para poder consumir mais coisas. E, como todo ser humano, no momento eu quero algo. Vi uma foto ali de um Gulab Jamun frito em água de rosas e senti vontade de degustá-lo, pois me parece mais apetitoso que comer apenas o Tali, mesmo sendo este o que me trouxe até aqui. Ele foi o catalizador que me conduziu ao meu destino, mas apenas para eu chegar aqui e mudar de curso e escolher o Gulab.
– “Um Tali e um Gulab Jamun saindo! Deseja mais alguma coisa?”
– Certamente! Sempre haverá mais o que desejar. Nunca cessaremos de querer algo, mesmo com toda a abundância e plenitude deste mundo. Não importa o que aconteça, há sempre algo que procuraremos ir atrás de conseguir. Seja comida, romance, ou papéis toalhas depois de derramar chá no carpete. Parece ser o nosso destino estarmos presos à gula. Será culpa nossa? Não pedimos para ter fome. Mas também não pedimos para viver num mundo tão cheio de objetos adequados para preencher-nos e satisfazer nossas necessidades e caprichos.
– “OK, já volto.”
Eu então esperei pelo meu cálice do santo Graal, o benefício último e próspero da minha fome. O Gulab seria minha Excalibur, o desejo que me permite continuar na minha busca. Sem ele, eu não poderia seguir pela noite e continuar a pesquisa de meu pai.
– “Aqui está, senhor.”
Por que, entre tantos indianos no mundo, era eu quem estava na América, tendo que ir a um restaurante típico de pratos indianos para comer o que na Índia seria-me muito mais barato de obter? Ou será que o destino me mandou a aquele lugar? Se Deus cria o destino e o conduz, então Deus é um Tali, pois o anseio por sorvê-lo foi o que me levou até lá. E é este mesmo Tali que me sustenta enquanto escrevo isto. Ele preenche minhas necessidades e anseios. E o Gulab me faz seguir adiante com o meu destino. Portanto, se é assim, então estou preparado para o desígnio de Deus em comê-Lo.

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O que me leva a escrever um blog? É o meu destino falar às massas através dos meios de comunicação da era moderna? Serei ouvido? Minha mensagem cruzará o abismo do ciberespaço e entrará nos vernaculares registros da sociedade?

Onde estarão os meus companheiros dessa realidade virtual? Eles ainda estão lá fora, entre nós, nas sombras e na luz. Passamos por eles nas ruas, nas avenidas e becos, nunca esperando, nunca sabendo. Eles já sabem? Sabem que serão unidos por um extraordinário propósito comum, que será o de serem autores de blog?

E, quando o destino os aborrece e se encontram com tempo livre para gastar online, como se esconder disso? Como fugir e habitar as sombras se o destino ou sua própria falha humana os faz postar na rede mundial de computadores? E como eles sabem o que os esperam quando fizerem isso? Serão eles escurraçados como baratas, verdadeiros deuses deste mundo? Ou irão ser elevados e louvados e seus blogs estarão cheios de comentários por mostrarem ao mundo os verdadeiros conteúdos de suas almas?

Quantos deles responderão a este chamado, a esta canção mitológica da sereia, e trarão algo de literário para compartilhar com o mundo acessível?

Então, nos próximos dias, meses e maiores unidades de tempo, esperaremos que estes ‘web-loggers’ que se espalham pelo Universo, incluindo eu mesmo, venham apresentar seus cromossomos verbais ao poço de genes cibernéticos que é a Internet.

Irão estas palavras escritas propelir o intelecto humano adiante? Talvez seja apenas a nossa obrigação, nosso imperativo biológico, passar nossa razão e bom senso através desses meios. E o impulso de quem nos lê deveria ser o de comentar-nos, de fornecer seu ‘feedback’, que será a comida ou o combustível para a nossa engrenagem de escrita criativa.

Só Deus pode verdadeiramente dizer, esta onipotente barata que comanda nossos destinos.

Maha, a barata.

Este momento mesmo está constantemente mudando, sendo escrito pela Deusa Barata (seria ela o tão famoso ‘Maha-barata’?), enquanto eu respiro e digito. Apenas o passado pode ser verdadeiramente conhecido por nós, embora envolvido no mistério. Como um foco de luz, nossas mentes brilham sobre a própria sombra, mas só revelam uma pequena porção. Será ela relevante?

Nos próximos posts, tentarei trazer o que tenho vivido nesse passado até que alcance o relato de minha atual situação.

E que a barata esteja sempre no topo da evolução e de nossos pensamentos. Até breve.