Seria incomum para um homem das ciências como eu, um gênio da genética, se interessar pela arte literária? Ou toda expressão artística é inerente ao indivíduo? Será a mente movida pela poesia, essa conjunção de versos que infalivelmente carregam ritmo e sentimentos intrinsicamente humanos? Ela move os órgãos interiores com sua cadência, como uma extensão dos mesmos? E qual seria o catalizador que nos faz apreciar a arte poética? Não obstante, é assim que me sinto movido hoje. Tenho o desejo de falar em alegorias figurativas.

Borboletas são azuis
e rosas são vermelhas,
será a morte um fim
e nossa última centelha?
Morremos a cada dia
com o passar dos nossos anos?
Ou ser um geneticista
é o que me leva a esse engano?

Lancem seus votos a este Ganesha da poesia, ao Brahma da imagem retórica, ao Goku da prosa figurativa: Mohinder Suresh! Deveria eu ter escolhido um caminho diferente? Ou fui eu forçado a seguir os passos de meu pai? O que teria sido do Mohinder se ainda estivesse na Índia? Talvez eu deveria aceitar aquele emprego aqui no sindicato dos roteiristas. Eu teria feito uma fortuna, é verdade, mas teria sido feliz? Poderiam 20 dólares a hora comprar a felicidade? Ou não há um preço para tal conceito?

E, em vez de conhecer o Sylar (não me refiro ao sentido bíblico de ‘conhecer’ alguém) e de virar as costas para ele (também não no sentido romântico da coisa), talvez tivéssemos unidos forças como parceiros. A pesquisa de meu pai teria sido um trampolim para nosso desejo de matança, que seria canalizado para a escrita e teria trazido narrações e roteiros de algo que alertasse ao mundo sobre a existência da evolução. Ou, pelo menos, se ele se cansasse de mim, eu poderia dispor de um tempo maior a fim de escolher um bom modelito de roupa para vestir no meu velório.

Ah, mas vocês repararam a pequena mudança na imagem do topo de meu blog? Ela reflete melhor minha atual situação…

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