Seria incomum para um homem das ciências como eu, um gênio da genética, se interessar pela arte literária? Ou toda expressão artística é inerente ao indivíduo? Será a mente movida pela poesia, essa conjunção de versos que infalivelmente carregam ritmo e sentimentos intrinsicamente humanos? Ela move os órgãos interiores com sua cadência, como uma extensão dos mesmos? E qual seria o catalizador que nos faz apreciar a arte poética? Não obstante, é assim que me sinto movido hoje. Tenho o desejo de falar em alegorias figurativas.
Borboletas são azuis
e rosas são vermelhas,
será a morte um fim
e nossa última centelha?
Morremos a cada dia
com o passar dos nossos anos?
Ou ser um geneticista
é o que me leva a esse engano?
Lancem seus votos a este Ganesha da poesia, ao Brahma da imagem retórica, ao Goku da prosa figurativa: Mohinder Suresh! Deveria eu ter escolhido um caminho diferente? Ou fui eu forçado a seguir os passos de meu pai? O que teria sido do Mohinder se ainda estivesse na Índia? Talvez eu deveria aceitar aquele emprego aqui no sindicato dos roteiristas. Eu teria feito uma fortuna, é verdade, mas teria sido feliz? Poderiam 20 dólares a hora comprar a felicidade? Ou não há um preço para tal conceito?
E, em vez de conhecer o Sylar (não me refiro ao sentido bíblico de ‘conhecer’ alguém) e de virar as costas para ele (também não no sentido romântico da coisa), talvez tivéssemos unidos forças como parceiros. A pesquisa de meu pai teria sido um trampolim para nosso desejo de matança, que seria canalizado para a escrita e teria trazido narrações e roteiros de algo que alertasse ao mundo sobre a existência da evolução. Ou, pelo menos, se ele se cansasse de mim, eu poderia dispor de um tempo maior a fim de escolher um bom modelito de roupa para vestir no meu velório.
Ah, mas vocês repararam a pequena mudança na imagem do topo de meu blog? Ela reflete melhor minha atual situação…


5 comments
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Dezembro 12, 2007 às 8:41 pm
Jonny-el
Eu notei o band-aid Mohinder…
Notei sim. É verdade que foi depois que vc avisou. Mas eu vi. Vi sim.
Sabe de uma coisa?
Estou me acostumando as suas quase incessantes perguntas.
E começando a refletir melhor sobre tudo isso.
Dezembro 12, 2007 às 9:26 pm
Thaky
É Moh…
A gente poderia ser tanta coisa nessa vida… tivemos escolhas diversas, cada uma levando num caminho. Onde todos nos estaríamos hoje se a anos atrás escolhêssemos a “opção 2″?
lendo seu poema, lembrei de um da minha infância que me deu mto conhecimento(fazendo uma correspondência com o 1º verso de seu poema):
[b]As Borboletas[/b]
[i]Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então…
Oh, que escuridão![/i]
[b]Vinicius de Morais[/b]
Profundo em?
Relaxa Moh, vc seguiu o caminho que o destino te mostrou. Faz o que tem que fazer que ele te guiará!
Dezembro 13, 2007 às 12:05 am
Gabriel Gray
Olá, Mohinder. Como vai esse nariz? Não é poético? Eu vim aqui lhe fazer uma proposta e você estava exatamente falando sobre se juntar a mim. Venha, Suresh. Me acompanhe em minha caçada. Juntos podemos conquistar tantas coisas. Você com o seu mapa, eu com a minha fome. O mundo com suas extraordinárias habilidades precisando de mim.
Dezembro 13, 2007 às 4:21 pm
Sylvia_Sanders
Hum.. prometo que não farei piadinhas sobre esse ‘juntos poderemos conquistar tantas coisas, vc com seu mapa e eu com minha fome’..
Então.. posso fazer uma pergunta?? Vc NUNCA fica afônico? assim.. vc fala MAIS do que eu.. por mais tempo e nem assim vc perde a voz???
Janeiro 2, 2008 às 4:45 pm
Mohinder Suresh
Jonny-el, que bom, é importante refletir e fico feliz de ter proporcionado isso a um indivíduo da espécie humana.
Thaky, pois é, talvez nunca saberemos como seria, ou a experimentaremos mais tarde na vida. As borboletas são fascinantes, não são?
Sylvia_Sanders, eu cuido da minha voz, tomo água, como maçã, esguicho extrato de romã na garganta, evito leite (até porque é de vaca, animal sagrado) e chocolate.
Sylar, com vc eu converso depois em casa…